Eis a pergunta da praxe. E eis a resposta do costume: "Já voltei há um ano, sabe...".
O que mudou? Na verdade, tudo. Os últimos dois anos foram ímpares e marcantes, e nem parece que foi há exactamente um ano que aterrei de novo na minha Lisboa, deixando pedaços de vivências para trás e arrastando comigo outros. Há um ano no Pensionato deserto, às 4 da manhã, a fazer um esforço colossal para fechar o meu malão de guerra cinzento e a abandonar um edredom de 5€ do Continente, com uma directa em cima e com sentimentos nostálgicos misturados com a (já) saudade do pesto do refeitório... Há um ano no avião maluco da Luftansa, que esteve 5 horas para conseguir voar normalmente, depois de falhas técnicas que atrapalhavam o meu sono e tiravam o sono à minha mãe. Há um ano a saltar fora da minha zona de conforto, a voar para a América e a conhecer paraísos escondidos, cheiros novos e gentes diferentes...
De volta, a poeira assenta. Não sou a mesma pessoa- ainda bem. Não por Itália em si- e isto é difícil de explicar. O importante é mudar a forma de olhar as coisas, limpar a vista, escolher as prioridades certas, aprender com Quem sabe, descobrir onde se deve estar mas, acima de tudo, tentar perceber para onde se deve ir.
Não sei o que é melhor para mim (acho que ninguém sabe o que é melhor para si, na verdade).
Divido-me entre o que fui e o que sou, as minhas paixões e obrigações. A tradição e o mundo inquieto, o partir para qualquer lado e o conforto da lareira. Mas acima de tudo procuro aquilo que faço com duende.
Viva a vida!
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